noname

Sempre me questiono em como cheguei até aqui. Não. Não no sentido biológico e sim, no espiritual. São tantas pessoas, personalidades e vidas passadas, que me deixa curiosa pensar que já estivemos em outro corpo. Não é que eu seja religiosa, mas eu até tenho as minhas convicções de que tudo isso aqui tem um sentido e que não estamos perambulando sem uma direção e propósito. Eu sei. Sou um pouco complicada demais para ser entendida assim em apenas um parágrafo, ou até mesmo em um livro. Se nem eu mesma me entendo, como posso querer que alguém veja, nessa confusão de fios de telefones embolados, apenas uma resposta?!
Por ter a certeza de que ninguém nunca irá compreender meus pensamentos, eu vivo mentindo. Gosto de mentir coisas bobas e insignificantes como aquilo que eu comi no café da manhã, mas acabo me desmentindo na maioria das vezes. Comecei fazendo de brincadeira, mas é ironicamente engraçado como todo mundo acredita e nem questiona e, às vezes, até eu mesma acredito nelas. Por que? Acho que consigo passar confiança naquilo que falo, ou aquela informação é completamente inútil e as pessoas nem se dão ao trabalho de procurar saber se realmente é verdade. Pode ser também que aquilo se repete tanto que você apenas aceita como uma verdade. Muitas coisas na vida cotidiana funcionam assim. É estranho, porém completamente verídico. Acreditamos e aceitamos tudo sem nem ao menos buscar alguma prova de que o fato realmente tenha acontecido.
Um dia, minha professora de sociologia no ensino médio deu uma aula toda baseada nos conceitos de um sociólogo que ela mesma tinha inventado. Achei muito perturbador passar por esse tipo de experiência, porque me fez questionar tudo aquilo que eu já tinha aprendido na vida. E se 2+2 não for igual a 4?! Mas, de certa forma, me fez expandir horizontes e me tornar uma pessoa questionadora até demais. Parte da minha escolha de profissão se deu ao fato de que eu quero ter provas para acreditar nas palavras alheias e compartilhá-las, já que não tem a menor graça em saber uma informação sem poder dividí-las com os outros.
Sei lá. Eu gosto de pensar diferente e um pouco mais para fora da caixa em que somos colocados dentro dessa sociedade e posso afirmar que me esforço, cada vez mais, para ficar completamente para o lado de fora. Confesso que acabo me contrariando, muitas vezes, por viver em uma mente liberal, mas com ideais conservadores. Acho que isso faz parte da educação que nos é passada e nem digo que seja necessariamente de casa ou colégio.
Estudei em uma escola que me preparou para a vida e não só para um vestibular, apesar de ser propriedade e residida por padres. Os alunos tinham liberdade para pensar e expressar seus sentimentos de uma forma nada intimidadora ou forçada. Além disso, vivo em uma casa com pessoas que, por mais que não me entendem em algumas ocasiões, me permitem e me ajudam a alcançar minhas maiores satisfações. Mesmo com toda essa educação liberal, eu cresci com preconceitos internos que fazem parte de um reflexo da sociedade em que vivemos e que eu busco, diariamente, desconstruí-los.
Me vejo em tantos reflexos e o que menos me representa é o do espelho. Me observo com um olhar profundo e tudo o que eu vejo não passa do superficial. Já não sei o que eu quero, o que me acrescenta e o que me torna. O reflexo me reflete. O reflexo acha que me reflete. O reflexo não sabe que, na verdade, ele não me reflete em nada. O meu reflexo é o nada, mas o tudo me reflete.
Não gosto de criar rótulos, porque acredito que todos podem ser tudo aquilo que quiserem ser e quando quiserem. Eu mesma. Muitas vezes, eu acordo completamente diferente de como eu fui dormir. Sei lá. Gosto dessa abertura de poder viver tudo aquilo que pode me proporcionar e acrescentar sentimentos positivos e experiências benéficas.
Posso ter sentimentos através dos meus poemas. Aliás, esse é o meu outro hobby preferido. O universo da literatura e dramaturgia são tão mágicos e apaixonantes, que não consegui resistir ao entrar. Na verdade mesmo, eu queria viver da escrita livre, mas sei a dificuldade que irei encontrar na minha longa jornada. Para conseguir bancar esse luxo que é escrever, tive que escolher algo que me permitisse desenvolver ainda mais minha escrita e que me ajudasse na independência financeira.
Eu sonho em sair de casa e ter a minha própria família e meu cantinho pra cuidar. Ou melhor, eu sonhava. Hoje em dia, acho que vou sentir tanta falta dos meus pais e da minha irmã, que me peguei pensando se, realmente, quero passar por esse desapego forçado. Além do mais, não sei nem mais se quero construir minha própria família. Não que eu não queira ter filhos e um marido para chegar do trabalho e perguntar como foi o meu dia, mas acho que já existem tantas crianças abandonadas, que não faz sentido colocar mais uma no mundo, podendo mudar completamente a vida da outra. Também não sei mais se acredito no amor. Acredito no amor livre, apesar de achar que eu teria que me esforçar muito pra ter uma relação assim.
Eu gosto de pensar no coletivo. Me sinto melhor quando faço as pessoas sorrirem, principalmente se for de uma forma espontânea. Acredito que o sorriso é a porta de entrada para a verdade, assim como o olhar, mas, além disso, o sorriso consegue transmitir, de forma radiante, aquela mistura de sentimentos que dá borboletas no estômago. O que te faz mais feliz do que ver quem você gosta feliz?
Acho que comer chocolate. Sou tão viciada que posso afirmar que meu amor por chocolate chega a ser maior do que os meus sentimentos pela maioria das pessoas que eu convivo. Chocolate é sinônimo de felicidade e é a maior prova de que todos os sentidos estão ligados às emoções.
Ouvir uma música, abraçar alguém, sentir um cheiro, comer algo ou ver simplesmente qualquer objeto irá te remeter a alguma lembrança e, automaticamente, criar um sentimento dentro do seu sistema nervoso. Pelo menos é aquilo que eu acredito e que acontece comigo diariamente.
Enfim, talvez isso tudo soe um pouco psicótico e juro que busco ser o mais normal possível, mas é aquela velha história: “O pior louco é aquele que se finge de lúcido.”

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